Lev Semenovich Vygotsky nasceu a 17 de Novembro de 1896 em Orsah, pequena cidade perto de Minsk, capital da Bielorrússia, e faleceu apenas 34 anos depois em Moscovo a 11 de Junho de 1934, vítima de Tuberculose.
Filho de uma próspera família judia, teve um percurso académico notável. Completou o ensino secundário aos 17 anos e recebeu uma medalha de ouro pelo seu desempenho. Em 1918 formou-se em direito na Universidade de Moscovo, mas estudou simultaneamente Literatura e História.
Aos 28 anos casou-se com Roza Smekhova, com quem teve duas filhas.
Conhecia nove idiomas e possuía um saber enciclopédico.
Na sua curta carreira, de apenas 10 anos, produziu cerca de 200 trabalhos de Psicologia e 100 sobre Arte e Literatura. Foi professor de Psicologia, implantou um laboratório de psicologia, fundou uma editora e publicou uma revista literária.
A partir de 1924, Vygotsky dedicou-se à psicologia evolutiva, educação e psicopatologia.
A sua vasta obra foi proibida após a sua morte, e durante cerca de 20 anos, devido a vários factores, mas especialmente à tensão política que se vivia na época. Só com o fim da Guerra-fria é que o Mundo ocidental conhece o trabalho de Vygotsky.
Partidário da Revolução Russa, Vygotsky sempre acreditou numa sociedade mais justa.
A teoria de Vygotsky tem por base o desenvolvimento do indivíduo e a sua natureza cultural. Desenvolveu um novo conceito de Pessoa, em que considera que o indivíduo está em permanente evolução, mas em que é também uma construção social. Por isso, dá relevo aos contextos sociais em que as pessoas vivem e são educadas e a todo o processo de crescimento ao longo do seu percurso de vida.
O autor distingue as funções intelectuais naturais, como são, a memória, a percepção, a atenção e a motivação, das funções culturais, que vão aparecendo gradualmente e que são específicas do ser humano.
Defende que a linguagem tem uma função fulcral no processo de aprendizagem porque é através desta que é feito o processo de mediação entre o sujeito e o ambiente social. Estes factores vão ser vitais para a construção de funções intelectuais superiores.
Estas funções ocorrem graças à plasticidade e à flexibilidade que caracterizam o cérebro humano e a internalização dessas competências do pensamento constituem o cerne do processo de desenvolvimento cognitivo.
Vygotsky formulou a Lei Geral do Desenvolvimento Cultural que defende que as funções psicológicas superiores aparecem no desenvolvimento do sujeito duas vezes: primeiro no nível social (entre as pessoas) e depois no nível psicológico (individualmente, no interior do próprio sujeito).
Para o autor, a aprendizagem tem um papel fundamental para o desenvolvimento do saber. Qualquer aprendizagem é um processo de ensino-aprendizagem, tanto para aquele que aprende como para aquele que ensina e na relação entre ambos.
A relação entre desenvolvimento e aprendizagem é explicada por Vygotsky através da “zona de proximidade”, um espaço dinâmico que existe entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial, ou seja, os problemas que uma criança consegue resolver sozinha e os outros que ela só conseguirá resolver com uma ajuda ou orientação de alguém mais capaz.
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