terça-feira, 5 de abril de 2011

Aprender a Motivar através das visitas de estudo

Sessão de formação:

Tema: “Aprender a Motivar através das visitas de estudo”
Destinatários: Professores do ensino Básico e Secundário
Duração: 4 horas

Objectivos:
Demonstrar como as visitas de estudo:
- Promovem a motivação dos alunos para a aprendizagem;
- Melhoram o desenvolvimento afectivo entre alunos e professores;
- Trazem vantagens ao desenvolvimento intelectual dos alunos.

Recursos a utilizar:
1 Sala/ Mesas/cadeiras/papel/canetas/computador/ Data show.

Metodologia:
A Instituição onde trabalho (Palácio Nacional de Mafra - Serviço Educativo) fará o convite aos professores do ensino básico e secundário das Escolas do Concelho.
A acção decorrerá em data a agendar, nas instalações do Palácio.
Terá a duração total de 4 horas, divididas entre manhã e tarde. Durante a manhã será feita a apresentação, de acordo com o guião apresentado, e da parte da tarde terá lugar uma visita guiada ao Monumento, de forma a demonstrar na prática, a forma como é possível orientar uma visita de estudo para aqueles objectivos.
A sessão de apresentação será acompanhada de uma apresentação em PowerPoint, a esquematizar as situações apresentadas e que serão desenvolvidas no discurso, bem como com a ilustração de situações com exemplos dos objectivos de uma visita de estudo.
Na visita guiada, vivem-se os pontos fulcrais da mesma, ao realizá-la com os professores no lugar dos alunos, e também pela observação de outras visitas de estudo a decorrer.

Guião:
A) A importância das visitas de estudo:
     . Associam e complementam a aprendizagem da sala de aula.
     . Permitem a aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes.
     . Promovem responsabilização pelo Património (ambiental, cultural, etc.)
B) A Motivação dos Alunos para a aprendizagem:
     . As visitas de estudo constituem um excelente contexto (não formal) que ajuda a
        promover e desenvolver a motivação dos alunos para a aprendizagem.
     . Despertam o interesse, a motivação e a curiosidade em descobrir mais sobre
        determinado tema em estudo.
     . Possibilitam aos alunos aprender de forma divertida, o que promove um impacto
        positivo no desenvolvimento de aprendizagens futuras.
    . Demonstram que é possível também aprender para além das fronteiras da escola,
        mesmo entre amigos e familiares.
C) Desenvolvimento Afectivo:
     . A interactividade das visitas de estudo promove interacções entre os próprios alunos e
        entre alunos e professores.
     . Estimula uma melhoria do desenvolvimento afectivo, o que é positivo no
        enriquecimento dos alunos, nas suas experiências pessoais, e também no aprofundar
        de conhecimentos.
D) Desenvolvimento Intelectual:
     . As visitas de estudo servem como complemento de aprendizagem. Ajudam a salientar
        o entendimento de aspectos que podem não ser abrangidos pelo currículo escolar.
     . Possibilitam a recolha de material para posteriormente trabalhar na sala de aula.
     . Incentivam o espírito de colaboração e entreajuda nos alunos, pela aprendizagem de
        novos conceitos que lhes proporcionam.
E) Visita Guiada:
     . Acompanhar os Professores numa visita guiada ao Monumento.
     . Exemplificar, em pontos estratégicos do percurso, como determinado assunto
       trabalhado de forma adequada, pode levar os alunos aos raciocínios e conclusões
       pretendidas.
     . Observar outras visitas de estudo a decorrer, para perceber na prática como funcionam
       com os alunos.

Conclusão:
Pretende-se com esta acção despertar os professores para a importância das visitas de estudo para a motivação da aprendizagem nos alunos.
Demonstrar como uma visita bem organizada e projectada de uma forma pedagógica, pode dar frutos, não só ao nível curricular dentro da área pretendida, mas também a nível psicológico e comportamental.

Lev Vygotsky

Lev Semenovich Vygotsky nasceu a 17 de Novembro de 1896 em Orsah, pequena cidade perto de Minsk, capital da Bielorrússia, e faleceu apenas 34 anos depois em Moscovo a 11 de Junho de 1934, vítima de Tuberculose.
Filho de uma próspera família judia, teve um percurso académico notável. Completou o ensino secundário aos 17 anos e recebeu uma medalha de ouro pelo seu desempenho. Em 1918 formou-se em direito na Universidade de Moscovo, mas estudou simultaneamente Literatura e História.
Aos 28 anos casou-se com Roza Smekhova, com quem teve duas filhas.
Conhecia nove idiomas e possuía um saber enciclopédico.
Na sua curta carreira, de apenas 10 anos, produziu cerca de 200 trabalhos de Psicologia e 100 sobre Arte e Literatura. Foi professor de Psicologia, implantou um laboratório de psicologia, fundou uma editora e publicou uma revista literária.
A partir de 1924, Vygotsky dedicou-se à psicologia evolutiva, educação e psicopatologia.
A sua vasta obra foi proibida após a sua morte, e durante cerca de 20 anos, devido a vários factores, mas especialmente à tensão política que se vivia na época. Só com o fim da Guerra-fria é que o Mundo ocidental conhece o trabalho de Vygotsky.
Partidário da Revolução Russa, Vygotsky sempre acreditou numa sociedade mais justa.

A teoria de Vygotsky tem por base o desenvolvimento do indivíduo e a sua natureza cultural. Desenvolveu um novo conceito de Pessoa, em que considera que o indivíduo está em permanente evolução, mas em que é também uma construção social. Por isso, dá relevo aos contextos sociais em que as pessoas vivem e são educadas e a todo o processo de crescimento ao longo do seu percurso de vida.
O autor distingue as funções intelectuais naturais, como são, a memória, a percepção, a atenção e a motivação, das funções culturais, que vão aparecendo gradualmente e que são específicas do ser humano.
Defende que a linguagem tem uma função fulcral no processo de aprendizagem porque é através desta que é feito o processo de mediação entre o sujeito e o ambiente social. Estes factores vão ser vitais para a construção de funções intelectuais superiores.
Estas funções ocorrem graças à plasticidade e à flexibilidade que caracterizam o cérebro humano e a internalização dessas competências do pensamento constituem o cerne do processo de desenvolvimento cognitivo.
Vygotsky formulou a Lei Geral do Desenvolvimento Cultural que defende que as funções psicológicas superiores aparecem no desenvolvimento do sujeito duas vezes: primeiro no nível social (entre as pessoas) e depois no nível psicológico (individualmente, no interior do próprio sujeito).
Para o autor, a aprendizagem tem um papel fundamental para o desenvolvimento do saber. Qualquer aprendizagem é um processo de ensino-aprendizagem, tanto para aquele que aprende como para aquele que ensina e na relação entre ambos.
A relação entre desenvolvimento e aprendizagem é explicada por Vygotsky através da “zona de proximidade”, um espaço dinâmico que existe entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial, ou seja, os problemas que uma criança consegue resolver sozinha e os outros que ela só conseguirá resolver com uma ajuda ou orientação de alguém mais capaz.